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Ao Norte da Linha do Equador

on jun 24, 2013 in Sem categoria | 0 comments

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Eu poderia gritar aos quatro cantos e sem chances de arrepender-me que aquela foi “A” viagem. Não pelo fato de ter sido a viagem mais longa, tão pouco por estar na terra do tio sam. Fiz tudo o que se espera que se façam nessas viagens que acontece apenas uma vez em nossas vidas. Conheci gente de todos lugares, fui xingado por um estrangeiro, bebi até vomitar, e fumei até me aliviar (pela primeira vez, diga-se de passagem). A gente só se dá conta desses fatos algum tempo depois… anos talvez. Mas eu sempre soube que eram altas as chances de eu encontrar alguma menina que fosse mudar os meus pensamentos em tais situações.

É claro, hoje, quando uma guria vem e pergunta se eu sou o “fulano de tal” que ela ouviu falar, são altas as probabilidades de nós acabarmos em um motel barato, onde o conceito de eternidade está no caminho entre o nosso orgasmo, o meu cigarro e o tempo que eu vou levar para conseguir encontrar as minhas roupas e fugir do local. Mas, quando eu ainda era apenas um projeto de pessoa, o pouco que eu consegui gaguejar quando ela veio ao meu encontro falando tais coisas fizeram eu perder noites em claro sem nem ao menos saber exatamente o que aquilo significava, me perguntando, criando diversas hipóteses e verdadeiras teorias do que poderia ter acontecido se eu tivesse dito, X, Y ou Z. O que esperar de um mero adolescente o cabelo um pouco grande e feio demais para a idade, igual a todos os outros?

É óbvio que o meu mundo parou quando que por uma dessas ironias que o destino insiste em me pregar ela veio desfilando –como sempre o faz- em minha direção. E como não pararia? Não é todo dia que dois olhos grandes e de cores indefinidas aparecem te fazendo questionamentos e ordenando que você deveria ficar por ali. Agradeço, até a presente data, por ela, apenas naquele momento, não ter visto a dificuldade que era para a minha pessoa conseguir falar, respirar ou tentar esboçar uma ação contrária a que ela havia dito. Agradeço também ao meu bom corpo por esses defeitos que me fizeram ficar estático, conseguir mentir que eu era um cara normal, e não ter feito eu começar a gaguejar e falar o quanto eu pensei e fiquei imaginando como eu e ela poderíamos dominar o mundo, conquistar castelos, fazer do mundo o nosso reino. Obrigado.

Quando –raramente- eu tento expressar dizendo que nessa tal noite, as estrelas pareciam um pouco mais próximas –provavelmente por estarmos ao norte da linha do equador- ou que regadores –estranhamente- molharam a nós quando eu insistia em contar todos os planos e metas que não deram certo, costumam dizer que poderia dar um grande livro, uma grande história, ou uma chata conversa de bar.

Os anos passaram e eu não lembro muito bem do que realmente aconteceu. Apenas que havia um banco de metal e que por alguma discussão irritante acabei ficando ali o resto da noite.

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