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Conversas de Edredom

on jun 24, 2013 in Sem categoria | 0 comments

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Ambos estávamos deitados na cama, ambos ali presentes, acredito que um pouco mais eu do que ela. Entre arrumar a melhor posição e ajeitar o travesseiro, por de baixo do edredom o meu pé descalço tocava a sola do dela, meio que fazendo cócegas -justamente para ela reclamar-, meio que tentando fazer carinho -ainda que sem sucesso-, meio que não fazendo nada e meio que tentando fazer tudo. O quadro de uma banda na parede acusava que não era uma noite normal, um apartamento normal, tão pouco uma pessoa ‘normal’. Após uma ou outra tentativa até ela reclamar, e algumas trocas de sorrisos e olhares em silêncio, ela furiosa perguntou:

-O quê?

 

Um filme logo passou na minha cabeça. E eu gostaria de ter falado muitas coisas naquela hora:

Primeiramente pensei em dizer como ela era linda. Não exatamente linda, por que isso a faria pensar que eu estava falando isso somente por que eu gostava dela, o que era verdade, mas linda de alguma forma unicamente dela, afinal, os olhos eram de uma cor até hoje indefinível para mim nobre mortal, eram verdadeiros enigmas que transmitiam sensações que eu jamais imaginei sentir. Falar sobre como seu cabelo (que durante toda a noite eu tentei fazer parecer não magnífico) ficava ainda mais engraçadinho caindo sobre o seu rosto, era uma coisa impossível de ser proferida minha boca. E falar sobre como o sorriso dela mexia com sentimentos que eu desconhecia e que provavelmente relacionamentos duradouros começaram com menos afeto e atração que eu sentia por todo o seu corpo, bem, não era o momento.

Então pensei em falar sobre outras coisas, talvez sobre o fato de estarmos ali, naquele momento. Filosofar sobre como tudo aquilo aconteceu, e sobre o que havia acontecido no dia e como eu esperava que tivesse acontecido, mas que no final das contas, estar ali, deitado ao lado dela era a única variável presente em todos filmes da minha cabeça. Mas acho que isso ia parecer meio psicótico demais, até para mim. Então, eu preferi evitar, não queria que ela juntasse as minhas coisas e jogasse pela porta.

Também pensei em falar, que aquele quarto era estranho, mesmo. Os móveis colocados em locais não muito propicios e de como eu mudaria todos do seu local inicial, pelo simples fato de eles serem colocados de uma forma mais exata naquele quarto. Mas bem, acho que não era um comentário bom a ser feito também, acho que eles deviam estar lá por alguma razão específica, ainda que eu desconhecesse.

E por último pensei em pedir desculpas, afinal, aquele mesmo sentimento de culpa -que eu sentia quando usava o O’Matic para começar com todo dinheiro dentro do Elifoot-, pairava sobre a minha pessoa. Pedir desculpas assim, por entrar meio que sem avisar, meio que sem perguntar, meio que sem falar nada demais, só entrar na vida dela. Pensei se eu estava fazendo errado, pensei se eu estava fazendo certo, sabia que ela já tinha tudo planejado e andando estritamente como ela havia sonhado para a sua vida.

-O quêêê? – Ela perguntou novamente.

-Que o quê? – Eu disse sorrindo.

-Idiota! – Ela retribuiu

Por fim, eu queria ter dito muitas coisas. Mas muitas coisas foram faladas naquela breve troca de palavras e olhares naquele silêncio.

Silêncio esse que compartilhamos confortavelmente, quando finalmente percebemos que encontramos alguém especial.

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